Orcrítica - Filhos do Éden: Herdeiros de Atlântida

Filhos do eden herdeiros atlantida livro eduardo spohr orc leitor blog orcritica

Crítica Filhos do Éden: Herdeiros de Atlântida (Livro 1)

Eduardo Spohr, Brasil/2011 (Editora Verus)


A Batalha do Apocalipse foi, definitivamente um divisor de águas. Iria até mais longe do que isso, diria que foi um marco na literatura atual brasileira. As mudanças que o livro trouxe foram muitas, destacaria incluir novos adeptos e interessados na nossa literatura atual como também mostrar que livros fantásticos podem dar certo no Brasil. Ler Filhos do Éden antes de ABdA não faz muito sentido, cronologicamente até funcionaria, mas conhecer o universo criado pelo autor de forma mais impactante é justamente o inverso, aproveitando primeiro uma obra fechada e que serve de parâmetro para ser aprofundado na nova série em questão.

Em Filhos do Éden, Eduardo Spohr muda um pouco a maneira o qual narra sua história. O livro antecessor era focado exclusivamente em narrar os fatos que levaram a acontecer um grande evento, talvez o maior dentro do universo criado pelo autor. Por esse motivo, a história no geral não possui uma grande aproximação emocional ou grandes laços sentimentais entre os personagens, ou até mesmo entre o papel e você. 

Nesse volume a coisa é diferente. Você é levado ao tempo que antecedeu essa grande catástrofe, podendo conhecer melhor o mundo o qual a história se passa e vendo tudo de uma perspectiva menos emergencial. Quem o leva para essa caminhada é Kaira, uma capitã dos exércitos de Gabriel (Arcanjo que conhecemos em ABdA), que após uma missão aqui na Terra acaba perdendo sua memória e se desviando completamente de seus propósitos.

Toda a caminhada de Kaira para se lembrar de quem era e de seu passado é narrada de maneira primorosa. Nada no livro é forçado, dando uma fluidez quase cinematográfica, dividindo-o entre um claro começo, meio, conflito e o fim. Isso pode ser ruim para um livro você me pergunta, tamanha simplicidade? Não, completamente o contrário.

O estilo do autor é justamente o que faz isso possível, Eduardo Spohr é simples da maneira correta. O primeiro livro contém muitas referencias do mundo pop, a história é conduzida sem descrições muito profundas, a ação é constante e as parte conflitantes são narradas como se fossem verdadeiras batalhas de vídeo-game. Francamente? Isso é exatamente o que todo mundo quer um uma série como essa.


Entretanto, mesmo saindo dos "padrões" no primeiro livro, o segundo é bem focado em relacionamentos e fechamento de várias pontas soltas do mesmo. Ver Karia se relacionando com outros anjos e procurando suas soluções é um prato cheio para o autor nos situar novamente e nos engajar para uma nova jornada. Tudo é feito de forma bem tranquila, dando tempo para podermos nos ambientar novamente e lembrarmos de estar em uma nova série. Com outro ritmo. Outros tempos.

Pode-se estranhar Herdeiros de Atlântida a primeira vista. Reconhecer que os anjos em questão estão se apaixonando seria um fato estranho para leitores antigos, acostumados ao ritmo mais frenético de ABdA. Mas tudo faz sentido e é coerentemente prazeroso de se ler. Alguns desses novos fatos podem atrapalhar um pouco, a constante reafirmação dos instintos dos anjos segundo suas castas deixam o livro um tanto repetitivo em algumas partes. A empatia com alguns personagens principais também pode demorar um pouco a aparecer, deixando toda essa "lacuna" de sentimentos para ser preenchida nos últimos momentos da narrativa.

Contudo, Herdeiros de Atlântida é o primeiro livro de uma série. Qualquer impacto negativo que o livro venha a causar pode ser colocado provisoriamente de lado e ser posto a prova em seu volume seguinte, o que, como autor já mencionou, serve de complemento e tem uma abordagem distinta. Para fãs da obra, Filhos do Éden começa como um grande filme, a jornada encarada por Kaira e seus companheiros nada mais é do que um bom blockbuster que serve de entrada para uma nova história. De fato, distancia-se um pouco da grandeza que as coisas aconteciam na grande batalha do apocalipse, previamente abordada, mas não o torna de forma alguma menos importante ao Spohrverso.

3/5



Share it Please

Unknown

Michael Cristian - Fundador, 20 anos, formado em Computação Gráfica, Tolkiano, fanático por Comics (aficionado pelo Spider-Man) e amante da Sétima Arte. É também entusiasta a Diretor, Roteirista e Produtor de vídeos e Web-séries. Michael é também co-fundador da Caneca Filmes.

Copyright @ 2013 Orc Leitor. Designed by Templateism | Love for The Globe Press